Mais que celebrar a literatura infantil nacional, dia 18 de abril, considerado o Dia Nacional do Livro Infantil, é uma data para celebrarmos a ação do ler. Tem coisa mais bonita do que crianças ouvindo uma história contada por seus pais, seus avós, seus professores? Um mundo se abre a elas, literalmente!

É fato que só escreve bem quem lê. E lê muito! No entanto, a leitura infantil proporciona benefícios ainda maiores que a boa escrita. Ela permite a imaginação voar, ela agrega conhecimento, incita valores e virtudes, eleva a auto-estima, expande o repertório da criança. Além disso, se a leitura for bem trabalhada na infância, se tornará excelente companheira para muitos momentos na adolescência e na fase adulta do indivíduo!
Portanto, ler para seus filhos, sobrinhos, netos, amigos… é fundamental! Eu diria que é um DEVER de todo adulto responsável por uma criança. E o legal é ler com vontade, com ânimo! O primeiro passo é se entregar à história. Respire fundo, abra a gaveta dos problemas e preocupações, jogue tudo lá dentro, tranque, guarde a chave (ou não… rs) e… viaje com as
crianças pelo mundo encantado das palavras! Os resultados, a curto e longo prazo, serão gratificantes.
DICAS PARA UMA CONTAÇÃO DE HISTÓRIA ENVOLVENTE
1. É interessante criar um ritual para a hora da história, uma rotina. Aqui em casa desligo a luz do quarto, acendo o abajur, acomodo meu filho na cama e sento ao seu lado. É assim que nos preparamos para nossa contação diária.
2. Algumas histórias até precisam ser comentadas ao final, mas a maioria não. Permita à criança trabalhar seu imaginário e tirar suas próprias conclusões. A leitura deve ser prazerosa, acima de tudo. É um momento de lazer, e não precisa nem deve estar sempre acompanhada de uma “moral da história”.
3. ”A história tem que sensibilizar primeiro o contador para depois conquistar o ouvinte“, diz Thiago Domingos, contador de histórias e voluntário do Instituto História Viva. É bacana conhecer a história que será contada, para que o narrador demonstre segurança e encantamento. Essa leitura prévia também é fundamental para filtrar histórias que consideremos não apropriadas aos nossos pequenos.
4. Não alterar as frases nem palavras da história é uma regra sempre destacada nos cursos de contação. Há um porquê daquele texto, da ordem das frases, da escolha das palavras.
Mas… aqui ó… só entre nós, ao pé do ouvido… sinceramente, costumo alterar – com extrema cautela, lógico – trechos de algumas obras que considero um pouco pesadas ou inapropriadas aos valores de minha família. Até mesmo alguns contos do Sítio, que meu filho e eu tanto amamos, caem na minha malha fina às vezes (com todo o respeito ao grande aniversariante do dia de hoje, nosso mestre Monteiro Lobato)!
Em caso de vocabulário incondizente com o conhecimento da criança, leia mesmo assim e aguarde que ela questione os significados das palavras desconhecidas. O uso de gírias e vícios de linguagem (né, aí, então…) está proibido.
5. Vez ou outra, olhe nos olhos da criança ao narrar. Isso será um conector entre vocês, e uma oportunidade de transmitir as emoções da história através do seu olhar. Nós sorrimos e choramos com os olhos. Como lindamente diz Thiago, é bacana “promover um escutar e olhar que se traduzem em percepções diversas, fazendo com que todos sintam o frio, o medo, a paz, a felicidade, a fome, as cores, os cheiros e as mais diversas sensações suscitadas pelas histórias que harmonizam, acalmam, despertam sentimentos adormecidos, fortalecem, trazem luzes e alternativas“.
6. Lembre-se que mesmo quando a história for lida, a narrativa deve ser tão animada como se estivesse sendo contada! Use e abuse da entonação da voz. “A história deve ser cantada e não contada. Deve-se colocar a musicalidade na fala e não contar monocordicamente“, explica Thiago. Intercale momentos de volume de voz baixo e um pouco mais alto. Ajuste sua entonação aos ápices da história.
Para a criança pegar no sono, diminuir o volume até chegar ao sussurro é uma santa receita (pelo menos aqui em casa funciona que é uma beleza)!
7. “Usando fantoches, marionetes, máscaras, adereços e instrumentos musicais, o contador movimenta personagens encantados, dá vida à magia dos reis e princesas, à esperteza dos heróis e à sabedoria dos bichos“, sugere Thiago.
8. No geral, deixe a criança escolher a história que deseja ouvir. É um momento de lazer, e não didático. O que importa não é a leitura do melhor livro infantil (apesar de ajudar muito!), e sim a diversão. Nessa fase devemos principalmente buscar conquistar esse novo leitorzinho para que ele prossiga no hábito de ler.
9. Carol Damião, atriz, professora de teatro e contadora de histórias, também nos deu dicas valiosas! ”Crianças bem pequenas gostam de ouvir a mesma história muitas vezes. O que para os pais pode parecer cansativo e desinteressante, para as crianças, dotadas de uma imaginação inesgotável, é uma forma de explorarem seu imaginário, criando, a cada nova descoberta, laços com o livro, com a literatura, até se encantarem tanto ou mais por outra obra e partirem para outra história. Negar a criança a repetição é não deixá-la criar laços. REPITAM, REPITAM, REPITAM AS HISTÓRIAS QUANTAS VEZES ELES DESEJAREM!”, ensina.
10. “Adolescentes também gostam de ouvir histórias, eles apenas se esqueceram disso. O livro que antes era colorido e mágico, agora é um labirinto de letras e eles já não sabem que elas guardam cores, sons, formas, vida. É preciso relembrá-los, reaproximá-los. LEIA COM SEU FILHO, MESMO QUE ELE JÁ SAIBA LER SOZINHO!”, indica a contadora.
“Há diversas maneiras de se contar uma mesma história.
Não existe certo ou errado, nem melhor ou pior.
Existe o que funciona e o que não funciona.
Cada história tem seu universo a ser explorado.
Descubra. Crie.”
Carol Damião
* Carol Damião (caroldamiao@hotmail.com) conta histórias na Livraria Cultura, em Escolas e Eventos e desenvolve o projeto Histórias Extraordinárias, Lei de Incentivo à Leitura, com o apoio da Fundação Cultural de Curitiba, do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura e da Prefeitura de Curitiba.
** O Instituto História Viva (http://historiaviva.org.br/) capacita, treina e gerencia voluntários para se tornarem contadores e ouvidores de histórias.
*** Mesmo que não esteja em seus projetos atuar como voluntário(a) em alguma instituição ou comunidade, um curso de fim de semana de contação de histórias será de grande valia para aprimorar a técnica e trazer mais encantamento à sua família!
★ ★ ★ ★ ★
Para comemorar a ocasião, o Fios de Tear lança hoje,
em parceria com a Ponto Pessoal,
o projeto BOTÕES DE LETRAS!
A cada evento promovido pelo Fios, arrecadamos livros que irão direto para os galhos das árvores. É isso mesmo, eles farão parte de uma biblioteca ao ar livre! Espalharemos os livros em árvores próximas a escolas e colégios, em locais de grande circulação de crianças.
A árvore que inaugura o projeto está localizada no bairro Boa Vista, na Rua Maria Geronasso do Rosário, próxima a Escola Municipal Professor Ricardo Krieger, ao Colégio Estadual Papa João Paulo I e ao Colégio Curitibano Adventista Boa Vista. Seus “botões” são alguns dos livros doados pelos participantes do 1º encontro do Fios de Tear, realizado no dia 08 de março. Agradeço a todos que doaram esses “botões”, os quais, na medida em que forem sendo abertos, gerarão palavras, que por suas vez gerarão frases, que gerarão parágrafos, que gerarão capítulos, que gerarão livros, que gerarão… bons frutos na cabecinha e no coração de cada pequeno grande leitor!











